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Estudos indicam que a situação da toxicodependência tem vindo a melhorar nos últimos anos em Portugal, onde o número de toxicodependentes em tratamento é o «maior de sempre».
«Temos cerca de 35 mil toxicodependentes em tratamento, é o maior número de sempre», adiantou à “Lusa” o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Manuel Pizarro, poucas horas antes de partir para a 53ª reunião da Comissão de Estupefacientes das Nações Unidas, que junta a partir de hoje, em Viena, 53 países. No encontro, o responsável vai falar sobre o modelo português, defendendo que é preciso «combater a toxicodependência mas não os toxicodependentes, que são doentes que precisam de ser ajudados, tratados e apoiados». A forma legal escolhida para pôr em prática aquela teoria foi descriminalizar o consumo: «Nós somos o único país onde o consumo de drogas, por lei, está descriminalizado», sublinhou, referindo-se ao diploma em vigor desde 2001. «Há países que têm descriminalização para o consumo de algumas drogas ou que têm uma prática judicial que nunca conduz à criminalização, mas não está na lei. Na lei só mesmo Portugal», frisou Manuel Pizarro. A descriminalização é uma das razões dos resultados divulgados nos últimos estudos que falam na «diminuição do consumo de drogas ilícitas nos jovens do 3.º ciclo do ensino básico e do ensino secundário, diminuição da propagação do vírus HIV entre os toxicodependentes, diminuição da incidência de hepatites entre os toxicodependentes que estão em tratamento», lembrou o governante. No entanto, o trabalho não está acabado e o combate à toxicodependência vai prosseguir. «Continuamos a ter jovens a começar a consumir e pessoas que continuam a consumir». Protocolo com o Peru Também o coordenador nacional de luta contra a toxicodependência, João Goulão, acredita que o modelo de descriminalização de drogas seguido por Portugal está a ser uma estratégia ganhadora. João Goulão vai estar juntamente com o secretário de Estado Adjunto e da Saúde na reunião de hoje da Comissão de Estupefacientes das Nações Unidas. Durante os contactos de alto nível, Portugal assinará com o Peru um protocolo de colaboração e troca de experiências: o consumo de heroína, que em Portugal teve contornos epidémicos nas décadas de 1980 e 1990, surge agora no Peru com mais evidência, enquanto em Portugal se passa o mesmo com a cocaína, droga com que o Peru já teve que lidar há mais tempo. |