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Unidose continua a suscitar dúvidas Imprimir e-mail
09-Mar-2010

ImageDepois do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, ter anunciado, no âmbito do PEC, que vai lançar a unidose, os parceiros do sector da saúde mantêm as dúvidas sobre o sucesso e as vantagens da medida, avançou o “Diário Económico”.

O bastonário da Ordem dos Médicos garante que a unidose «não traz poupança para os doentes» e que os actuais tamanhos das embalagens «estão adaptados à terapêutica normal». Na opinião de Pedro Nunes, o problema do desperdício «não tem a ver com o tamanho da caixa mas com o comportamento dos doentes».
O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos partilha da mesma opinião e considera que a unidose não pode ser vista como a «solução milagrosa» para a poupança.
«Apenas um terço do desperdício de medicamentos está associado a medicamentos que os doentes não necessitam», afirmou Maurício Barbosa , alertando também para o facto da adesão à unidose ter «elevados investimentos, por isso deve ser bem avaliada».
Oito meses depois do Governo ter dado às farmácias a hipótese de aderir à unidose, e não tendo havido qualquer candidatura, o Executivo recusa abandonar a medida e prepara-se mesmo para apresentar novas regras.
O secretário de Estado da Saúde assegurou ao referido jornal que a unidose não será imposta por decreto-lei: «Não vamos impor [a unidose] nem às farmácias nem aos médicos. Apostamos mais nos incentivos do que em medidas estritas que obriguem a isto ou àquilo», comentou Óscar Gaspar.
Carlos Braga, do movimento dos utentes dos serviços públicos duvida que a unidose venha a ser uma realidade se depender de uma portaria. «Deveria ser imposto por lei, porque só assim as farmácias vão cumprir. Nesta matéria o Governo tem de fazer uma opção, que deveria ir ao interesse do bem-estar social das pessoas», defende Carlos Braga.
A APIFARMA não apoia a prescrição em unidose, pois considera que além de «não se conhecerem quaisquer benefícios para os doentes», a introdução deste sistema «implica riscos importantes para a qualidade e segurança dos medicamentos». A associação que representa a indústria questiona ainda o timing da medida, numa altura em «está a ser abandonada nos países europeus, como é o caso da Grã-Bretanha e da Espanha».
Um estudo da Real Sociedade Farmacêutica Britânica, divulgado pela APIFARMA, revela que 79% dos farmacêuticos britânicos dizem que a mistura de lotes e embalagens leva a uma perda de confiança do doente na eficácia do medicamento e 86% considera que a dispensa da embalagem de tamanho original seria mais adequada.
Actualizado em ( 11-Mar-2010 )
 
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